Título original: One Day (Inglaterra)
Autor: David Nicholls
Editora: Intrínseca
Ano: 2009
Páginas: 410
Sinopse: “Dexter Mayhew e Emma Morley se conheceram em 1988. Ambos sabem que no dia seguinte, após a formatura na universidade, deverão trilhar caminhos diferentes. Mas, depois de apenas um dia juntos, não conseguem parar de pensar um no outro. Os anos se passam e Dex e Em levam vidas isoladas – vidas muito diferentes daquelas que eles sonhavam ter. Porém, incapazes de esquecer o sentimento muito especial que os arrebatou naquela primeira noite, surge uma extraordinária relação entre os dois. Ao longo dos vinte anos seguintes, flashes do relacionamento deles são narrados, um por ano, todos no mesmo dia: 15 de julho. Dexter e Emma enfrentam disputas e brigas, esperanças e oportunidades perdidas, risos e lágrimas. E, conforme o verdadeiro significado desse dia crucial é desvendado, eles precisam acertar contas com a essência do amor e da própria vida.”
Quando comecei a ler Um Dia achei que esse seria apenas mais um livro clichê, sem novidades e me enganei completamente. A linguagem divertida do autor envolve muito, o livro é repleto de ironia, mesmo nos momentos mais dramáticos. Porém, o ponto mais interessante dessa obra é sua estrutura: 20 anos são narrados em cima de um único dia do ano (15 de julho). Esse formato poderia causar muitas gafes no enredo, mas não causa, é incrível como o ano passado de um capítulo para o outro é resumido sem deixar lacunas. A curiosidade também é imensa, uma vez que muitos capítulos terminam de maneira incerta e ao virar a página pulamos 365 dias. O autor é impecável em sua descrição dos ambientes e das personagens. Conhecemos Dexter e sua personalidade confusa: agitado, popular, irresponsável, vive um dia como se fosse o último e muitas vezes trata mal sua melhor amiga, Emma. Já Emma é tudo que Dexter não é: pé no chão, pessimista, inteligente, atenciosa – sua baixa auto estima não a permite perceber sua beleza e sua capacidade de realizar grandes feitos, nesse sentido Dexter que a estimula a explorar seu potencial.
O romance é muito envolvente e cheio de reviravoltas ao longo dos anos narrados. Imprevisível e original, não é mais uma história de amor boba com jeitão de comédia romântica. Com certeza muitas garotas e mulheres vão compartilhar e entender as confusões da vida de Emma, as tentativas de se manter e de achar a pessoa ideal. Assim como Dexter representa a juventude inconsequente, o modo de vida que muitos levam tentando escapar dos problemas, ao invés de encara-los. Vale muito a pena!
O filme
A adaptação é dirigida por Lone Scherfig (Educação). Anne Hathaway (Diário da princesa) como Emma Morley e Jim Sturgess (Quebrando a banca) como Dexter. O roteiro foi adaptado pelo próprio David Nicholls, o que foi perfeito. O filme é fiel ao enredo do livro, apesar de alguns cortes serem inevitáveis não chegam a fazer falta no entendimento da história como um todo. Assim como a maioria das adaptações o filme não consegue fluir como o livro, as lacunas evitadas pelo autor na obra escrita aparecem muitas vezes nos pulos de um ano para o outro, com poucas explicações algumas cenas tornam-se confusas. As atuações não deixam a desejar, os atores souberam entrar no espírito das personagens e interpretar suas piadas, confusões e brigas. A adaptação é divertida, consegue passar a atmosfera da Inglaterra tranquila e agitada, mostra a transformação de Emma e o romantismo de Paris. A cena estampada na capa da nova edição do livro foi muito bem escolhida (e olha que eu não gosto muito de livros com a capa do filme).
Trailer: