Ano: 2011
Duração: 100 min
Estréia no Brasil: 10/02/12
Oscar: 10 indicações
Globo de Ouro de Melhor Filme (Comédia ou Musical)
Sinopse: ”O filme se passa na Hollywood de 1927 e conta a história do astro de cinema George Valentin, que, enquanto se preocupa com o futuro de sua carreira com a chegada do cinema falado, se apaixona por Peppy Miller, uma jovem dançarina que busca o sucesso.”
Crítica por Vitor Ballaben:
Michel Hazanavicius fez algo que apenas um diretor francês que ama sua origem é capaz de fazer: resgatar os primórdios do cinema. Contemporâneo aos pais da cinematografia, os irmãos Lumière, Michel traz ao mundo uma brisa de ar fresco, uma pitada de cultura aos cansativos filmes hollywoodianos sem criatividade, com algumas exceções. A França iniciou todo o gigantesco mundo do cinema que conhecemos, porém em uma época na qual filmes eram feitos para saciar um desejo de gênios cinematográficos e para entreter um público fiel, que buscava fugir de uma realidade muitas vezes amedrontadora (principalmente em período de guerras e pós-guerras). Porém, há alguns anos acompanhamos a desconstrução desse primórdio, nos quais diretores são controlados pela indústria (e seus produtores), e fazem filmes após filmes sem nenhuma inovação, cumprindo tabela, visando apenas uma boa bilheteria, e muitas vezes copiando sucessos passados ou se alongando extensivamente em seqüências.
Bom, tendo ampliado um pouco seu significado, vamos falar do filme em si. Com uma premissa bastante similar ao clássico Singin’ In The Rain (1952), a história gira em torno da evolução do cinema (do mundo para o falado, ou seja, predominantemente no período entre 1926 e 1928) e seu impacto nos grandes atores e estúdios. Porém, diferente do musical, este é um drama na sua mais pura essência, com uma trama pouco complexa, mas emocionante e bem contada. Jean Dujardin, o protagonista da bela história, possui fortes traços de Gene Kelly (do já citado Cantando na Chuva), o que fica claro principalmente nas cenas de dança. O ator faz um ótimo trabalho mímico, assim como a atriz Bérénice Bejo e o belo e completo elenco, que fica no mínimo interessante com esta filmagem em preto e branco.
Como não poderia faltar em um filme destes, temos referências claras aos mestres do cinema mudo, como Charles Chaplin, Fritz Lang, Irmãos Lumière, entre outros. Estas referências são feitas de forma suave, servindo para desenvolver a história, e não apenas para uma tentativa de enriquecer a obra e torná-la clássica.
Na única cena falada do filme, que é precedida por breves momentos de completo silêncio (uma sacada genial), temos completa a transição do cinema mudo para o cinema falado, portanto não há como não resgatar memórias de The Jazz Singer (1927) e sua famosa frase: “Vocês ainda não viram nada”. Creio que esta obra servirá de exemplo para muitos, assim como servirá de crítica à mesmice hollywoodiana, e deve ser assistida por todos aqueles que apreciam a história da sétima arte.

Muito boa e completa sua resenha! Só não acho que “criatividade” seja a melhor palavra para destacar “O artista” das mesmices hollywoodianas. Um filme mudo em 2011 foi inusitado, mas apesar da estética impecável a história em si não tem nada de muito novo. É mais como uma velha (bem velha) fórmula que foi repetida como homenagem. O que não tira o mérito, o filme é ótimo e o Jean Dujardin também é meu preferido pro Oscar. ^^
Obrigado pelos elogios!
Quanto à “criatividade”, não quis dizer que o filme é criativo, mas sim que falta criatividade em muitos filmes de Hollywood. Neste caso, o francês critica isso com um filme nada inovador, mas muito melhor que algumas megraproduções.